Distribuição de sementes e mudas fortalece produção da agricultura familiar no estado

Iniciativa da Secretaria da Agricultura Familiar beneficia mais de 70 mil produtores e reforça abastecimento, inclusive para a merenda escolar.

A Secretaria da Agricultura Familiar do Piauí (SAF) intensifica, com a chegada do período chuvoso, a distribuição de sementes e mudas para fortalecer a produção da agricultura familiar em todo o estado. A ação beneficia mais de 70 mil agricultores.

São distribuídos 330 mil quilos de sementes de milho e feijão (sendo 80 mil quilos de sementes crioulas e 250 mil de sementes convencionais), além de 400 mil mudas de caju e 400 mil raquetes de palma forrageira. O investimento total é de R$ 9 milhões.

Com a chegada das chuvas, agricultores iniciam plantios (Foto: Roberto Araújo)

A secretária da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, destaca que o cronograma considera a irregularidade das chuvas para garantir o plantio no momento adequado. “É fundamental estarmos atentos às condições climáticas, para que as sementes cumpram seu papel e realmente apoiem o agricultor no seu processo produtivo”, afirma.

Na comunidade Ave Verde, na região de Teresina, agricultores iniciam o plantio de milho, feijão e arroz. A associação local reúne 34 produtores que fornecem alimentos, inclusive para a merenda escolar.

A agricultora Maria de Jesus Alves ressalta a importância da entrega no período correto. “A alegria aqui para a gente está enorme, porque a gente recebeu essa semente, chegou no momento certo, período chuvoso, e a gente já está aqui plantando. Estamos finalizando os plantios e garantindo as entregas da merenda escolar com semente de qualidade”, relata.

Agricultora Jesus Alves no plantio de sementes (Foto: Camila Silva)

Ela acrescenta que os primeiros resultados já aparecem na lavoura: “Já tem milho crescendo, feijão crescendo. Daqui a pouco a gente vem aqui para colher e celebrar essa produção”.

A distribuição tem início pela região Sul, onde as chuvas começam ainda no fim de dezembro, e segue para o semiárido e a região Norte, conforme o calendário climático.

Além das sementes e mudas de caju, a SAF distribui mudas de gliricídia e amplia a implantação de campos de palma forrageira, com acompanhamento técnico às comunidades selecionadas.

“O fortalecimento da base produtiva consiste em permitir aos agricultores familiares o acesso a políticas públicas que possam melhorar seu processo produtivo. Isso inclui máquinas e equipamentos, sementes e mudas de qualidade, assessoria técnica, kits de irrigação, tecnologia e insumos adequados para que eles possam produzir mais e melhor”, afirma a secretária.

SAF inicia distribuição de palma forrageira (Foto: Geirlys Silva / SAF)

A palma forrageira atende associações e cooperativas que atuam na criação de ovinos e caprinos. A Cooperativa dos Produtores Rurais da Chapada Vale do Rio Itaim (Coovita) recebe 100 mil raquetes para os produtores vinculados.

A presidente da cooperativa, Suzana Coelho, destaca a importância da iniciativa. “É uma forma de dar um suporte na parte alimentar dos animais. Sem os animais bem alimentados e bem acabados, a gente não consegue fazer a comercialização. Como estamos no semiárido, é importante ofertar alimentos alternativos. A palma forrageira ajuda a suplementar a ração e a reduzir os custos”, afirma.

Quitanda da Agricultura Familiar movimenta mais de R$ 1 milhão em comercialização e expande presença no estado

O projeto realizou mais de 300 feiras no ano e contribui para o aumento da renda de agricultores familiares do Piauí.

Antes destinada apenas ao consumo próprio ou à venda nas comunidades, hoje a produção da agricultura familiar tem novos destinos. A ação de feiras da Quitanda da Agricultura Familiar, projeto desenvolvido pela Secretaria de Agricultura Familiar (SAF), com o objetivo impulsionar a comercialização dos produtos, expandiu sua atuação em 2025, quando foram realizadas cerca de 300 feiras, com um faturamento de mais de R$ 1 milhão.

A iniciativa reúne produtores, cooperativas e associações rurais. A ação contribuiu diretamente para o aumento da renda de agricultores familiares no Piauí. Os dados do projeto apontam que, em média, cada produtor fatura R$ 300 por feira, podendo chegar até R$ 1.000.

Maria de Jesus, da horta comunitária da Ave Verde (Foto: Geirlys Silva / SAF)

E além da comercialização de produtos do campo, o projeto também incentiva o consumo de alimentos frescos e saudáveis.

O diretor de Inovação da SAF, Tiago Patrício, destaca que o ano foi de crescimento, tanto em vendas quanto na expansão da presença da Quitanda da Agricultura Familiar no estado, que agora tem atuação, além da capital, em cinco municípios do interior.

“Em 2025, a iniciativa completou três anos e a evolução é constante. No mês de novembro, conseguimos ultrapassar um milhão de reais em vendas, resultado da assertividade e da capacidade de negociação da agricultura familiar. Este ano abrimos cinco novas franquias em parceria com prefeituras, sindicatos rurais e cooperativas do interior. Já estamos presentes em Piripiri, São João do Arraial, Piracuruca, Altos e Domingos Mourão”, relata o gestor.

Foto: Geirlys Silva

Além do interior, a Quitanda realizou em Teresina diversas feiras em empresas, condomínios, supermercados e também em instituições de ensino, como a Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a Universidade Estadual do Piauí (Uespi). O projeto também inaugurou duas lojas fixas em Teresina, uma na sede da Secretaria da Agricultura Familiar e outra instalada na Casa dos Movimentos Sociais, em parceria com a Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol).

Foto: Geirlys Silva

Até julho do próximo ano, o objetivo é duplicar a atuação no interior, com uma parte maior no sul do estado, sendo 10 no sul e três no norte. O projeto Quitanda também segue ampliando parcerias com lojas e redes de supermercados, como a Rede Carvalho Super e outros estabelecimentos de menor porte.

Foto: Geirlys Silva

Raimunda Aguiar é agricultora da Serra do Gavião e participa do projeto há dois anos da Quitanda. Ela conta que o projeto tem sido essencial para melhorar sua renda e dar continuidade à produção familiar.

“Eu levo limão, folhagem, massa de goma fresca e seca, caju, mamão, abacaxi e doces. Esse projeto me traz uma renda muito boa. Ainda não consegui comprar meu carro, mas vou conseguir com esse trabalho. Agora estamos em um período mais seco, mas tentamos plantar coisas diferentes. Minha produção funciona assim, eu planto um pouco de cenoura, planto uma coisa ou outra. Não é em muita quantidade como um grande produtor, mas quem sabe um dia eu chego lá. Estou na Quitanda há dois anos e só tenho a agradecer. Para mim é muito bom”, disse a produtora.

Raimunda Aguiar é agricultora da Serra do Gavião e participa do projeto há dois anos da Quitanda (Foto: Geirlys Silva)

Outro produtor que reforça a importância da iniciativa é Jailson Santos, de São Miguel do Tapuio. Ele vende mel e derivados nas feiras realizadas pelo projeto. Participante da Quitanda há seis meses, ele relata que a iniciativa trouxe mais visibilidade para sua produção.

“A Quitanda tem dado um apoio gigantesco na parte de divulgação e comercialização dos nossos produtos. Tudo é desenvolvido e produzido pela nossa família, minha esposa, eu e um primo que ajuda nos cuidados. Nossa produção de mel é feita na zona rural, e realizamos as colheitas entre dezembro e, às vezes, março, dependendo do clima. Comercializamos durante todo o ano e produzimos cera, própolis, mel, cosméticos e velas artesanais. Com a Quitanda, tudo isso tem melhorado bastante”, afirma o agricultor.

Jailson Santos, de São Miguel do Tapuio, vende mel e derivados nas feiras realizadas pelo projeto (Foto: Geirlys Silva)